13/11/2017 - Fonte: Riocentro | O Dia Online | RJ

Universitários criam protótipos que alcançam os 500 km/l de combustível

Já pensou se o seu veículo fosse capaz de percorrer 500 quilômetros com apenas um litro de gasolina? Não, não é nenhuma utopia. Estudantes universitários brasileiros já atingem tal proeza. Com carrinhos experimentais e diminutos, eles têm comprovado, na prática, as possíveis soluções para uma melhor eficiência energética em automóveis. E um dos laboratórios a céu aberto estava montado em pleno Riocentro, onde aconteceu, nesta semana, o Shell Eco-marathon. 

Com um total de 40 equipes, formadas por universitários de todo o Brasil - do Rio, a Eco Racing, da Universidade Federal Fluminense - , o Shell Eco-marathon é uma competição acadêmica onde os 'competidores' precisam desenvolver protótipos automotivos altamente eficientes. Similares aos modelos da Fórmula 1, os carrinhos devem percorrer a maior distância consumindo a menor quantidade de combustível possível - eles competem nas categorias gasolina, etanol e elétrico. 

Conforme Leíse Duarte, assessora de investimento social da Shell, a Eco-marathon fomenta ações em prol da eficiência energética, além de incentivar os universitários. "Estamos aqui realizando um trabalho global que contribui para uma matriz energética melhor para o futuro. Alguns projetos de universidades, aliás, passam a existir ou são retomados a partir da maratona", destaca. 

No Riocentro, o circuito tinha 786 metros e os pilotos precisavam dar 14 voltas - cerca de 11 quilômetros - em velocidade média de 25 km/h. Em 27,15 minutos, o desempenho de cada veículo era validado. Com peso em torno dos 50 quilos, os protótipos disputaram uma espécia de rali de regularidade. E como tudo é considerado para obter melhor eficiência energética, quase a totalidade dos pilotos é formada por mulheres - com baixa estatura e peso. Quem pilota, naturalmente, tem habilitação e os protótipos são submetidos à inspeção técnica por profissionais da Shell para garantir a segurança. 

Para muitos universitários, a maratona é oportunidade real de exercer o conhecimento. "Aqui aplicamos, na prática, a engenharia que aprendemos, sem contar a emoção que a competição proporciona", exalta Andrea Higa, 25 anos, piloto da Eco Veículo, da Unifei, de Itajuba (MG), vencedora da primeira edição brasileira, categoria de elétricos. A estudante revela que a experiência na Shell Eco-marathon atrai a atenção do segmento e também de outros estudantes - alunos de escolas públicas do Rio foram conhecer e acompanhar os projetos das universidades participantes. "Já apresentamos o nosso carro na Campus Party, no 13º Salão Latino Americano de Veículos Híbridos e Elétricos, além de uma empresa estar em contato com a nossa equipe porque deseja a nossa ajuda para eles desenvolverem seu controlador de motor elétrico", vibra. 

Mas a natural falta de investimento dos governos nas universidades pôde ser observada no evento. Ali, apesar dos resultados premiarem apenas algumas equipes, todos podem ser considerados vencedores, tamanha é a superação para estarem presentes. Uma equipe do Piauí, por exemplo, não obteve o financiamento necessário para vir ao Rio participar da maratona. Eles chegaram a declarar a desistência de participar do evento, quando foram 'salvos' por uma equipe do Maranhão, que desviou o trajeto do ônibus para 'resgatar' os colegas. "É muito bom vê-los com todo esse entusiasmo e vibração da torcida quando os carrinhos passam na pista, sabendo que viajaram por dois dias de ônibus, quer melhor exemplo de motivação e superação do que este", conclui Leíse Duarte, da Shell. 

A EcoRacing, da UFF de Volta Redonda, era a única representante do Estado do Rio na competição. Em igual teor, dificuldade e força de vontade eram as características da equipe, que trabalhava dentro das limitações, tendo como objetivo revalidar a marca e atingir a meta de 200 km/l com o novo carro. "Vendemos bolo, promovemos tardes de torta na faculdade para poder montar essa nova plataforma. Reaproveitamos peças, pegamos outras emprestadas e o capacete é da moto do meu pai", conta Rafael Duque Estrada, de 25 anos. Estudante de Engenharia Mecânica, Rafael sente falta da presença de outras escolas do Rio. "Ter mais equipes daqui nos ajudaria a crescer, porque aqui, na verdade, não é competitividade e, sim, fazer melhor uso da energia", pede, acrescentando que a equipe não tem nenhum patrocínio. 

Adaptações de última hora, correria contra o tempo e toda pressão, infelizmente, gerou a reprovação do carro na inspeção técnica e a EcoRacing não foi para a pista. "Uma infraestrutura adequada facilitaria nosso projeto, não teríamos que fazer tantas adaptações no nosso novo protótipo. Mas a nossa realidade é de superação e uma hora vamos conseguir, os 200 km/l", desabafou. 

Os vencedores Gasolina: equipe E³, da Universidade Federal de Santa Catarina, de Florianópolis - 525,7 km\l Etanol: equipe Pato a Jato, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, de Pato Branco - 412,4 km/l Elétrico: equipe Eficem, da Universidade Federal de Santa Catarina, de Joinville - 363,6 km/kWh.

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