20/05/2019 - Fonte: O Globo Online | Cultura | BR

Evento na Barra reúne fãs de animes, mangás e k-pop

Com fenômenos como o k-pop do BTS, histórias em quadrinhos, livros, filmes e tudo o que a combinação de criatividade com tecnologia pode oferecer, a cultura pop asiática seduz o Ocidente - inclusive o Brasil Quando o mundo que habitamos não é suficiente, inventamos outros para nos sentir confortáveis. Não importa que tenhamos que falar japonês ou o coreano: nós nos reinventamos em personagens e lemos histórias em quadrinhos da direita para a esquerda. Criar novos "eus", transitar do espaço virtual para o espaço presencial - tudo é possível no mundo dos mangás, animes, k-pop, cosplay e da cultura geek. O encantamento pela cultura pop oriental encontra refúgio em eventos como o Anime Barra World, que acontece hoje no shopping da Zona Oeste a partir das 11h. - O que mais me encanta é poder ser várias pessoas que gosto em uma única vida - diz Amanda Spisso, estudante, 18 anos, mais conhecida pelo seu apelido de cosplayer Alus. - Eu me sinto muito bem fazendo colegiais: são bonitinhas, simples e não são caras. Foi assim que eu acabei vestindo quase todos as personagens do anime "Love Live! Sunshine". A interpretação não é obrigatória, nem precisa ser o tempo todo, mas costuma acontecer na hora das apresentações e das fotos. Que o diga Rachel Goulart Berto, 24 anos, que já vestiu mais de 50 personagens do mundo geek , como Harley Quinn, do Esquadrão Suicida, e Boa Hancock, do mangá "One piece". Formada pela Unirio em Engenharia de Produção, Rachel arregaçou as mangas e apresentou seu trabalho de conclusão de curso, "A cadeia produtiva do mangá", no VI Encontro de Engenharia no Entretenimento. Em sua conclusão, o trabalho revela o alto investimento do governo japonês em conteúdos criativos, para consumo interno e exportação global. - A receita para o sucesso do investimento no entretenimento, no caso da cultura pop oriental, passa pela riqueza de seu conteúdo - diz ela. - Mangás e animes impulsionam toda a cadeia produtiva, trazem personagens e temáticas variadas, de curta ou longa duração. Há encantamento para todos os gostos. A partir daí, a cadeia produtiva se desenvolve, licencia produtos, cria eventos presenciais que conquistam fãs fiéis, ávidos pelo compartilhamento de saberes. Ela destaca também a versatilidade do cosplay. - Existem a garota fofinha, o menino andrógino, a mulher forte, o homem másculo, personagens genderfluid... - enumera. - Qualquer pessoa pode encontrar em algum anime ou mangá um personagem com o qual se identifique. O estouro do k-pop Foi em 2018, no show do grupo coreano Blanc7, que Diego Ragonha, curador e produtor de um dos maiores eventos da cultura pop oriental, o Anime Friends, viu pela primeira vez jovens brasileiros cantando e dançando o k-pop: - Eram 3 mil pessoas na frente do palco - lembra ele. - Fiquei impressionado quando vi que os jovens tinham decorado as letras das músicas em coreano. Eles choravam e chamavam os artistas pelos nomes. Com 16 edições realizadas em São Paulo e público médio de 50 mil pessoas anuais, movimentando R$ 15 milhões, o Anime Friends chega ao Rio pela primeira vez entre 5 e 7 de julho, no Riocentro. Estão escaladas atrações como o holograma da personagem Hatsune Miku e show do Ultraman Heroes. Viagem no tempo/espaço A curiosa exportação e aceitação da cultura pop oriental, que pega de jeito os brasileiros, tem suas explicações. Cristina Rego Monteiro, doutora em Comunicação pela UFRJ, faz suas apostas: - A cultura oriental é diferente, tem um quê lúdico/arquetípico com seus heróis maus e bons, e a utilização de elementos imaginários de outra realidade permite brincar com algo que diverte sem machucar - diz ela. - É uma viagem no tempo/ espaço até o imaginário. Com sutileza zen, a Coreia do Sul acolhe em torno de 800 mil visitantes por ano nos shows do grupo BTS, hoje o nome mais popular do k-pop. Em 2018, o sexteto foi responsável por movimentar US$ 3,6 bilhões. Quem quiser atravessar o portal do virtual para o presencial, pode dar um pulo ainda hoje no Anime Barra World. Lá, o fã (ou curioso) vai poder experimentar o mundo geek, assistir ao desfile de cosplay e dançar ao som do k-pop. Afinal, é preciso transver o mundo. (K.A.)

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