12/08/2019 - Fonte: O Globo Online | ELA

Conversamos com quatro autoras internacionais que estarão na Bienal do Livro

Escritoras ganham cada vez mais espaço no mercado editorial e passeiam por temas do terror à neurociência.

Há quem diga que nunca se leu tanto como nos tempos atuais. Mesmo que parte dessa conta recaia sobre as redes sociais e até mesmo as legendas de produções audiovisuais, o bom e velho livro segue triunfante. O sucesso deles tem muito a ver com o talento e o trabalho de mulheres, ainda minoria no mercado editorial, mas que, paulatinamente, vêm dominando espaços nas prateleiras e nas feiras. Não por acaso, elas são maioria entre os convidados internacionais que pousam no Rio, para a XIX Bienal Internacional do Livro , que começa no próximo dia 30 , nos pavilhões do Riocentro , e vai até o dia 8 de setembro. 

Quatro delas, em entrevista à revista ELA, adiantam que vão passear pelos temas de seus livros, do terror à neurociência. Mas vão além: C.J. Tudor, Kanae Minato, Lisa Genova e Rachael Lippincott prometem encher a plateia carioca de inspiração ao comentar processos criativos, percalços e triunfos de suas trajetórias. Detalhe: todas elas falarão, pela primeira vez, ao público brasileiro. Boa leitura! 

Lisa Genova 

Quem se emocionou com o filme "Para sempre Alice", que rendeu a Julianne Moore o Oscar de melhor atriz em 2015, deve as lágrimas a essa neurocientista americana. É dela o livro de mesmo nome que inspirou o longa sobre uma renomada professora de Harvard que sofre de mal de Alzheimer. Agora, no Brasil, Lisa Genova lança sua obra mais recente, "A família O'Brien" (Harper Collins), sobre um policial diagnosticado com doença de Huntington, uma enfermidade genética e neurodegenerativa. "Minha escrita se concentra em pessoas que vivem com doenças neurológicas e distúrbios que tendem a ser ignorados, temidos ou incompreendidos, retratados dentro de uma narrativa que é acessível ao público", diz a autora, que, aos 22 anos, trabalhava no mesmo laboratório em que foi isolado o gene de Huntington. "Lembro de ficar arrepiada por testemunhar um momento histórico na neurociência". Ela estará, no dia 8 de setembro, às 11h, na palestra "Neurociência e narrativas". 

Rachael Lippincott 

Uma das autoras mais empolgadas para desembarcar no Rio é a americana Rachael Lippincott. "Recebi mensagens adoráveis de leitores brasileiros, e o apoio deles significa muito para mim", diz. Na bagagem, ela traz a história por trás do livro "A cinco passos de você" (Globo Alt), que abordará na mesa "Entre mídias, telas e livros", no dia 30, às 19h. A obra é o seu primeiro romance e foi inspirada no filme homônimo protagonizado por Cole Sprouse e Haley Lu Richardson, cuja trama conta a história de dois pacientes que têm uma rara doença chamada fibrose cística. Eles se apaixonam, mas regras do hospital determinam que fiquem a menos de dois metros de distância um do outro. "Conversei com muitas pessoas que não faziam ideia do que era a fibrose cística até ouvirem sobre o livro e o filme", conta, orgulhosa da visibilidade que deu ao tema. "Conheci uma jovem que começou a fazer e vender sabonetes, doando os lucros a uma fundação dedicada à doença." 

Kanae Minato 

Essa japonesa de Hiroshima, dona de casa e professora de economia, publicou, em 2008, "Confissões" (Suma das Letras), sobre os mistérios da morte da filha de uma professora. O livro a catapultou para o hall de autoras de suspense mais celebradas desta e da última década, com mais de dez títulos publicados. A história de estreia fez tanto sucesso que foi até adaptada para o cinema pelo diretor Tetsuya Nakashima, chegando a receber uma pré-indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2011. Além de Kanae, que participa da mesa "Sedução dos thrillers", no dia 1º de setembro, às 19h, outras japonesas, como Masami Toku e Reiko Okano, estarão nesta edição da Bienal, que homenageia o país oriental. "Mesmo com etnias, culturas e ambientes diferentes, fico feliz em sentir que todos temos muitos pontos em comum. Quero encontrar pessoas com a nossa essência e com as nossas relações familiares", diz Kanae. 

C.J. Tudor 

Um corpo despedaçado e misteriosos desenhos em giz, num clima meio Stephen King e "Stranger things", brotaram na mente da inglesa C.J. Tudor no tempo em que ela era passeadora de cachorro. Como em muitas histórias de sucesso, seus escritos foram recusados diversas vezes até publicar, em 2018, "O homem de giz" (Ed. Intrínseca), best-seller com 25 milhões de cópias vendidas no mundo. "Acho que o timing tem tanto a ver com sucesso quanto talento e trabalho árduo. Certa vez, um agente disse que, embora tivesse gostado do texto, minha mistura de terror e suspense não era publicável", contou C.J. Na Bienal, a autora (que não revela seu nome) vai falar sobre a nova obra "O que aconteceu com Annie", que narra um desaparecimento sobrenatural. "Não consigo me ver longe do terror. Nunca vou escrever um romance", diz a inglesa, que estará na mesa "Suspense pela manhã", no dia 31, às 11h.

TRACE YOUR ROUTE

HOW TO GET TO THE VENUE

Avenida Salvador Allende, 6555
Barra da Tijuca, RIo de Janeiro, RJ
Cep: 22783-127

Tel.: +55 (21) 2441-9100
Fax.: +55 (21) 2441-9398

teste
teste
teste