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05/12/2016 - Fonte: O Globo Online

Rio(centro) empresarial: centro de convenções diversifica atividades

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No seu primeiro álbum, 20 anos atrás, os mineiros do Jota Quest cantavam que só iam a Jacarepaguá se estivessem de carro, pois Jacarepaguá é longe pra caramba. Mas as obras olímpicas e o desenvolvimento do bairro fizeram com que os versos de Ônibusfobia acabassem soando bastante datados em 2016. Um dos sintomas da integração cada vez maior ao restante da cidade pode ser percebido pela mudança de perfil de um dos principais ícones da região, o Riocentro.

Inaugurado em 1977 e entregue à iniciativa privada por ocasião dos Jogos Pan-Americanos, o enorme centro de convenções ocupa um terreno de mais de 500 mil metros quadrados e já foi palco de grandes eventos mundiais, como a Conferência Internacional das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) e seu desdobramento, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Natural (Rio +20). Mas, agora, a sede da Bienal do Livro, da Feira da Providência e de tantas outras exposições vem ganhando uma nova cara, com instalações permanentes de diferentes perfis.

Enquanto o Cinco Centro Integrado de Convenções , complexo inaugurado este ano, e os Pavilhões 2, 3 e 4 continuam dedicados a eventos pontuais, o Pavilhão 1 abriga um estúdio audiovisual, um colégio e escritórios. Em breve, ganhará ainda uma academia de ginástica. Um dos novos inquilinos do local, batizado de Riocentro Offices, é a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que ocupa parte da área onde funcionou o Comitê Organizador Local (COL) da Fifa para a Copa do Mundo de 2014. Ricardo Trade, que atuou como diretor executivo do COL e hoje exerce a mesma função na CBV, comemora as mudanças:

Quando viemos para cá, na Copa, a Fifa chegou a questionar se aqui não era um lugar muito distante e pouco seguro, mas nós mostramos os planos de melhoria para a região. No fim, ficou todo mundo muito satisfeito, inclusive a Fifa. Em três anos, a área realmente mudou muito aponta o executivo, que abandona a gravata todos os dias ao se deslocar para o trabalho de bicicleta.

Baka, como é conhecido, nasceu em Belo Horizonte e morou por 25 anos em São Paulo antes de chegar ao Rio. Morador da Barra, ele chegou a trabalhar na CBV quando a entidade ainda funcionava no Centro da cidade, mas hoje tem o privilégio de morar perto do trabalho. A inauguração da ciclovia da Avenida Salvador Allende, parte das obras olímpicas, fez com que os sete quilômetros de distância entre sua casa e o Riocentrose transformassem em exercício controlado por meio de um aplicativo de celular. Mas o executivo explica que a mudança para o centro de convenções não foi apenas em benefício próprio: um estudo apontou que a saída do shopping Città America, endereço anterior da organização, melhoraria a qualidade de vida de 76% dos trabalhadores.

Os 135 funcionários se dividem entre as áreas batizadas como Quadra 1 e Quadra 2, e, quando precisam de um espaço privado para reuniões, podem usar salas que receberam nomes como Ace, Saque, Ataque e Defesa. Eles ainda contam com um espaço para relaxar, a Time Out Zone, onde podem jogar pingue-pongue, dardos ou videogame. Os atrativos do Riocentro incluem a tranquilidade do local, com um extenso gramado povoado por galinhas-dangola, garças, corujas e capivaras, e a possibilidade de abrigar novos colaboradores com conforto. Ainda está nos planos da CBV construir um local para a prática de vôlei de quadra ou de grama.

Queremos transformar este lugar em um dos melhores para se trabalhar no Rio de Janeiro, e temos todas as condições para isso diz Trade.

Milena Palumbo, diretora da GL Events, multinacional francesa que tem a concessão para administrar o Riocentro e a Rio Arena, explica que o novo perfil do centro de convenções faz parte da visão estratégica da empresa, que investiu pesado na área. Em 2015, foi inaugurado dentro do complexo um hotel cinco estrelas, que recebeu a bandeira Grand Mercure e hoje é administrado pela rede Accor. Já em 2016 um novo pavilhão foi entregue, para receber as competições de boxe olímpico e vôlei sentado paralímpico. Hoje, a arena é um anfiteatro com capacidade para dez mil pessoas.

Sempre esteve no nosso planejamento a aproximação desse gigante multifuncional com os moradores do bairro, bem como o aproveitamento de áreas para a diversificação das atividades. Buscamos negócios que tenham sinergia com o Riocentro, com o nosso hotel e com quem possamos vislumbrar relações de longo prazo diz.

DESCANSO, FEIJOADA E PISCINA

A piscina na cobertura, com uma bela vista para a Lagoa de Jacarepaguá, é apenas uma das agradáveis surpresas oferecidas pelo hotel Grand Mercure. Com 300 quartos e seis suítes, o cinco estrelas faz parte da estratégia da concessionária do Riocentro para transformar o local em um dos principais destinos mundiais de grandes feiras e convenções.

Chegava a ser constrangedor ter que transportar palestrantes por mais de uma hora para que eles se deslocassem de onde estavam hospedados até o local do congresso conta Milena.

Concorrendo com destinos suntuosos como Abu Dhabi, Dubai e Singapura, o Riocentro jamais conseguiu conquistar o prêmio World Travel Awards de melhor centro de reuniões e convenções do mundo, apesar de ser indicado todo ano desde 2009 e de já ter faturado sete estatuetas dentro da América do Sul. Para a executiva, um centro de convenções sem um hotel próximo acaba ficando um passo atrás da concorrência, principalmente quando se pensa em termos globais.

O viajante de negócios é um dos principais motores do setor turístico. Porém, até pouco tempo atrás, a região de Jacarepaguá não explorava esse potencial. A nova estrutura do bairro, que recebeu mais hotéis e shoppings, já se fez sentir. Segundo a prefeitura do Rio, até 2020 já está prevista a realização de 173 eventos na cidade, o que levará à superação dos US$ 300 milhões de renda previstos para este segmento. Entre os já confirmados para o Riocentro estão o LAAD Security Feira Internacional de Segurança Pública e Corporativa, em 2017, com 35 mil participantes; e o UIA 2020 The 27th World Congress of Architects, que deve atrair 20 mil arquitetos.

Mesmo com a boa perspectiva, o Grand Mercure sempre procurou expandir seu público-alvo para além do corporativo. Pelo lado turístico, o serviço de concièrge oferece vários passeios pela região, como um voo panorâmico partindo do heliponto à entrada do hotel ou uma caminhada até a Pedra do Telégrafo, famosa nas redes sociais pelas fotos em que os visitantes parecem posar à beira de um penhasco. Serviços de vans também levam os hóspedes à Praia do Recreio ou ao shopping Metropolitano.

As pessoas não conhecem bem a região, e, quando chegam, costumam se surpreender diz o gerente do hotel, Raphael Martini. Quando se pensa no Rio de Janeiro, normalmente a primeira imagem que vem é Copacabana. Mas nós temos praias e cachoeiras lindas por aqui.

Moradores da região também frequentam as dependências do Grand Mercure, aproveitando o pacote de day use (com acesso à piscina, às saunas e à academia) ou a feijoada, que inclui entrada e sobremesa nos R$ 64 cobrados. A estratégia tem obtido sucesso, atraindo uma média de 250 pessoas a cada domingo.

BRT, COLÉGIO E ACADEMIA SÃO ATRATIVOS

Para os moradores de condomínios próximos, como os que já residem ou vão chegar para ocupar os 23 edifícios do condomínio Ilha Pura, a antiga Vila dos Atletas, o Riocentro pretende oferecer outras facilidades. Desde o começo do ano, o Pavilhão 1 abriga uma filial do Colégio QI, com capacidade para 300 alunos de turmas do ensinos fundamental II, médio e pré-vestibular. Ao lado da escola, com inauguração prevista para abril do ano que vem, vai funcionar uma nova unidade da rede de academias Smart Fit.

Milena Palumbo explica que a instalação dos dois provedores de serviços está em harmonia com o projeto que a administração tem para o Riocentro.

O aluguel de salas comerciais não faz parte do nosso core business, que são os eventos. Tanto que os outros pavilhões vão continuar dedicados exclusivamente às feiras. Mas, para o Pavilhão 1, buscamos negócios que nos ajudassem a nos aproximar dos nossos vizinhos afirma, acrescentando que o prédio ainda tem espaço para abrigar outras empresas.

Do outro lado do pavilhão, mais próximo dos locais reservados aos eventos e sem qualquer placa que indique sua presença, funciona desde o ano passado um estúdio de gravação que hoje é alugado pela Globosat. A operadora de TV paga usa os 1.360 metros quadrados, equipados com auditório e palco giratório, para gravar os humorísticos Vai que cola, Treme treme e Tudo pela audiência, do Multishow. A localização do estúdio, próximo à sede da empresa, foi um dos fatores que pesaram na ida para o Riocentro, e a previsão é que as instalações continuem a ser utilizadas por várias produções no ano que vem.

Os novos ares da região também se fazem notar do lado de fora do complexo e contribuem para seu crescimento. Duas estações do BRT, com paradas em frente ao hotel Grand Mercure e ao portão B, facilitaram muito a vida dos visitantes e a de quem trabalha lá.

Franco Neto, bicampeão do Circuito Mundial de Vôlei de Praia em 1993 e 1995, ao lado de Roberto Lopes, deixou as redes em 2013 e faz parte do quadro da CBV desde 2014. Morador do Península, ele lembra sem saudade alguma da época em que ia para o trabalho, no Città America, usando o ônibus do condomínio.

Eu tinha hora para sair, mas não tinha hora para chegar. Umas três ou quatro vezes, quando estava tudo parado, desci do ônibus e, caminhando, acabei chegando mais rápido. Sexta-feira, então, era uma loucura recorda o ex-atleta.

Usuário do sistema BRT desde a época da Olimpíada, Franco continuou usando o modal mesmo depois que o tráfego de automóveis particulares na área foi liberado.

Independentemente de haver trânsito, eu sempre chego no trabalho tranquilo, porque o ônibus pega a via expressa diz ele, satisfeito com a atual logística.

O ganho em mobilidade proporcionado pelas obras olímpicas deixou seu legado também para a administração do Riocentro:

Em captações de eventos, principalmente os internacionais, não precisamos utilizar artifícios tecnológicos ou apresentações para vender a facilidade de acesso e transporte público: a eficiência está comprovada para o mundo todo comemora Milena.

Trabalhando com o conceito de resort urbano, o gerente do Grand Mercure pretende aproveitar a nova estrutura para atrair cariocas de outras áreas:

Queremos acabar com o conceito de que aqui é longe. É só ter vontade de vir. Esse é um Rio de Janeiro que as pessoas não conhecem; nem quem mora aqui, nem quem vem de fora. É outra atmosfera argumenta Raphael Martini.


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